Alô você que caiu de gaiato aqui. Eu não sei se vale a pena fazer um post sobre isso, mas é um pensamento que tive e gostaria de compartilhar. Na verdade, é um assunto bem comum, mas que às vezes passa despercebido: a banalização da informação (certo, acho que perdi o foco ao longo do texto, mas vamos lá).
Ontem eu conversava com uma amiga sobre o cenário musical de hoje comparado ao de antigamente. Acabamos por citar alguns artistas – e como era de se esperar –, começamos a discutir sobre o teor crítico das músicas destes. Foi aí, então, que ela disse estar descontente com a forma que nos expressamos hoje; a forma como dificilmente as músicas dizem algo que esteja além daquilo que se lê.
Divagando mais tarde sobre este assunto, me deixei levar pelo fluxo e lembrei de um vídeo que assisti na internet (link). Não tem relação com música, mas se pararmos pra pensar, é um dos fatores que viabilizam a forma como as pessoas agem hoje (me refiro a inércia).
O vídeo é de uma reportagem onde o jornalista está fazendo seu trabalho e presencia um assassinato. Bem, é surpreendente. A princípio a minha reação foi “– Putamerda! Com câmera filmando!”. Talvez o motivo de tanto alarde seja mesmo que isso ocorreu ao vivo, tanto que o título do vídeo destaca isso, mas esse não é o fato mais surpreendente. Vamos imaginar como isso pode ter acontecido: Bem, a polícia e a ambulância não haviam chegado e o sujeito estava se estribuchando ainda. Provavelmente o jornalista estava por perto quando soube do incidente. Então o que ele pensa? "Opa! Oportunidade de matéria!”. Fácil de compreender, certo? Então ele vai até lá e começa sua reportagem. Agora veja, em sua cabeça, que cena mórbida: Enquanto um ser se estribucha, outro se aproveita para tirar seu ganha pão. Normal, não? Pois é. É normal e nós consumimos isso. Não estou falando mal dos jornalistas, não. É um trabalho importante. Contudo, hoje é tão fácil saber das coisas que tudo passa despercebido. A minha reação ao vídeo (que foi fechá-lo e continuar minha conversa no Skype) é a mesma que fazemos praticamente o tempo todo.
Não sei dizer se sou humanista, pois gosto de separar as coisas: a morte, por exemplo, é natural. Consumi-la, também (temos aí a cadeia alimentar e muitos outros exemplos). Mas a forma como o ser humano lida com os acontecimentos não é. Nós enterramos nossos semelhantes quando morrem. E é de se esperar da civilização. Mas podemos chamar essa forma de agir e pensar de civilidade?
Os Ombros Suportam o Mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Carlos Drummond de Andrade
Bem, é isso pessoal. Acho que meu texto ficou confuso, espero ter conseguido ser minimamente claro. Ah sim, este é o link para a letra do vídeo ali em cima do cover do Bob Dylan (link). Me deculpem pelos erros de português. Ah! Originalmente eu ia chamar esses monólogos (gostaria que fossem bate-papos, mas) de Conversa Fiada, mas o nosso amigo Ivens está escrevendo uma matéria (não vou dar spoiler!) então vou usar a categoria que ele criou (e que não está oficialmente inaugurada!). Então Folha de Rascunho é idéia dele! Até a próxima!

2 Divagações:
Um pega o jeito que eu começo meus posts, outro a minha coluna, já já vão pegar minhas roupas, meu celular Nokia e minhas ideias.
Mas existe um filme que fala exatamente sobre o descontentamento da nossa geração e ver a geração passada como melhor. Dirigido por (nada mais, nada menos que) Woody Allen, é Midnight in Paris (Meia-noite em Paris). Pra gente toda era passada é melhor, e era assim antigamente tb. Recomendo.
Vish, estava empurrando esse filme com a barriga.
Acho que verei agora. XD
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